Exit International, os desenvolvedores de um novo dispositivo impresso em 3D projetado para facilitar o suicídio assistido, antecipam sua disponibilidade na Suíça no próximo ano. O pod suicida Sarco, que passou por escrutínio legal por um especialista suíço, supostamente não infringe nenhuma legislação suíça existente. No entanto, essa avaliação desencadeou um debate contencioso entre profissionais jurídicos sobre sua classificação e implicações regulatórias.

Na Suíça, onde o suicídio assistido é legal e resultou em aproximadamente 1.300 mortes em 2020, a introdução de um tal dispositivo está preparada para desafiar as práticas convencionais. Ao contrário do método atual que envolve líquidos ingeríveis, esta cápsula utiliza nitrogênio para esgotar os níveis de oxigênio, levando à perda de consciência e subsequente morte em cerca de dez minutos. Este mecanismo permite um processo potencialmente autônomo, contando com sistema de acionamento interno e opção de saída de emergência.
Daniel Huerlimann, um jurista da Universidade de St. Gallen, conduziu uma investigação a pedido dos criadores do dispositivo para verificar sua legalidade dentro das estruturas suíças. Sua análise sugeriu que o dispositivo está fora do escopo do Swiss Therapeutic Products Act, dado que não se qualifica como um dispositivo médico. Além disso, Huerlimann não encontrou restrições legais relacionadas à sua operação com base no uso de nitrogênio, armas ou regulamentações de segurança do produto.
Surgiram opiniões contrastantes, como as de Kerstin Noelle Vkinger, que defende que a definição de dispositivos médicos – regulamentados por razões de segurança – não deve excluir produtos que possam não beneficiar diretamente a saúde, mas que ainda assim suscitem preocupações de segurança. Entretanto, a Dignitas, uma organização com uma longa história de prestação de serviços de suicídio assistido na Suíça, expressou cepticismo quanto à aceitação do dispositivo. Eles enfatizam a prática estabelecida, segura e profissionalmente apoiada do suicídio acompanhado, sugerindo que uma nova abordagem baseada na tecnologia pode ter dificuldades para ganhar força no país.
O inventor do pod, Dr. Philip Nitschke, conhecido por sua defesa do direito de morrer, planeja democratizar o acesso ao dispositivo distribuindo seus projetos gratuitamente, permitindo que qualquer pessoa o crie. A visão de Nitschke é “desmedicalizar o processo de morrer”, eliminando as avaliações psiquiátricas da equação e concedendo aos indivíduos total autonomia sobre as suas decisões de fim de vida.
Essa abordagem, no entanto, não foi isenta de controvérsias, com críticas direcionadas ao design do pod por potencialmente glamourizar o suicídio. Atualmente, há dois protótipos do pod Sarco, com um terceiro sendo produzido na Holanda, marcando um passo significativo na conversa em torno da ética e legalidade do suicídio assistido.
